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A história até agora ...

Ann: Produz-se vinho na Quinta de Sant’Ana desde que foi construída em 1630, mas na altura em que os meus pais, Gustav e Paula von Fürstenberg, a compraram em 1969, esta atividade já tinha tido melhores dias.

Foi o lugar mais paradisíaco para vivermos em pequenos, crescendo lado a lado com vinhas intercaladas com árvores de fruto, batatas e alhos, tudo dividido em caóticos, mas românticos, mosaicos de diferentes culturas. A linda adega, que no seu apogeu produzia mais de 80 000 litros de vinho, estava praticamente parada. Os meus pais adotaram o estilo de vida campestre português, mas a produção de vinho de qualidade já estava na mira. Começaram por limpar a terra, instalar drenos e a preparar a terra para plantar a vinha.
Mas o destino estava contra eles, e no meio da incerteza política da “Revolução dos Cravos” de 1974 tivemos que voltar para a Alemanha, deixando a Quinta praticamente ao abandono durante quase 20 anos. O caseiro da Quinta continuou a viver aqui com a sua família, o vinho continuou a ser produzido da maneira tradicional, e a maior parte da vinha e a adega ficaram esquecidas. Embora viéssemos passar cá os verões, o projeto do vinho teve que esperar … e um dia, em 1992, trouxe cá o James para visitar a Quinta. Ficámos logo entusiasmados com a ideia de retomarmos o projeto de renovação começado pelos meus pais antes da revolução. Participar na vindima naquele ano deu-nos uma ideia sobre os métodos tradicionais de vinificação, usando equipamento antigo em que os resultados eram muitas vezes algo duvidosos!

James: Em 1999 decidimos fazer uma incursão no mundo vitícola e plantámos 2.4 hectares de vinha nova das castas Aragonês, Castelão e Fernão Pires. Não só conseguimos que o vinho caseiro se tornasse mais bebível, como conseguimos vender maior parte da nossa uva. Foi só em 2004 que o projeto foi oficialmente lançado, quando David Booth, um amigo viticultor, nos apresentou o jovem de 24 anos, António Maçanita, acabado de sair da universidade. Desde então António é o nosso enólogo.
Logo no início decidimos que em vez de produzir grandes quantidades de uva nos focaríamos na produção de vinhos da melhor qualidade possível e que o nosso vinho seria para um determinado nicho do mercado, o dos apreciadores de vinhos complexos e variados. Foi então que decidimos plantar várias castas nacionais e internacionais. A sua experiência noutras zonas de Portugal, permitiu que António percebesse logo que tínhamos um clima único e fresco na Quinta de Sant’Ana, ideal para variedades como a Pinot Noir, Alvarinho e Riesling.
A partir de 2005 fomos aumentando gradualmente a nossa área de vinha, e em 2009 já tinhamos 10.5 hectares e uma oferta de 5 vinhos brancos e 4 tintos. O projeto estabilizou, pudemos respirar e esperar para ver o futuro da nossa vinha e vinhos. Mas a minha paixão pela natureza e a grande diversidade de espécies à minha volta rapidamente puseram-me a pensar em mudar para a agricultura biológica. Queríamos mesmo melhorar os ecossistemas e deixar de usar herbicidas, libertando as videiras da sua dependência de produtos químicos. Entretanto e com o passar dos anos verificamos que as videiras se tornaram mais resistentes a doenças, aprendendo a desembaraçarem-se sozinhas. E para grande felicidade das nossas abelhas, a variedade de plantas e insetos aumentou significativamente! E quase que nos esquecíamos de mencionar os excelentes vinhos daí resultantes! Estamos convencidos que atingiram um novo grau de complexidade e um espetacular caráter varietal.
Em 2013 plantámos duas novas variedades, ambas Portuguesas e da região: Arinto e Ramisco. Este é mais um passo na concretização do nosso objetivo de termos praticamente só castas portuguesas da região. Depois da ambiciosa conversão de um antigo eucaliptal numa encosta acidentada virada a Norte, planeamos agora plantar videiras que se deem bem em climas frescos, árvores autóctones onde o terreno é muito íngreme e rochoso, e muitas culturas de cobertura para agarrar as terras e melhorar os solos. A vontade do António para experimentar e desafiar limites aliada à nossa tendência para assumir riscos e aventurarmo-nos em novas experiências, prometem um futuro desafiante e cheio de surpresas.

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